O que é a Síndrome do Intestino Irritável?

O que é a Síndrome do Intestino Irritável?Depois de muito tempo de estudos, a síndrome do intestino irritável (SII) começa a revelar seus segredos, o que melhorou a forma de tratá-la. Entre as hipóteses sobre suas causas, destacamos a intolerância a certos alimentos, provavelmente como consequência de um desequilíbrio da flora intestinal. Gases, dor de estômago, prisão de ventre, diarreia…

Estes são os sintomas diários das pessoas que sofrem de síndrome do intestino irritável, que, apesar de manifestações que variam em frequência, intensidade e natureza, se caracteriza por causar dor abdominal crônica, cólicas e alterações nos hábitos intestinais. Ao diagnosticar a enfermidade, os médicos se baseiam exclusivamente nestes sinais clínicos, já que as provas não revelam nenhuma informação complementar.

Isto é confirmado pelo Dr. Ducrotté, gastroenterologista do Hospital CHU de Rouen, na França. “Os pacientes chegam ao consultório, principalmente por causa da dor, mas os exames, incluindo a endoscopia, não revelam nenhuma anomalia”. “Mesmo que os sintomas sejam subjetivos, questionar o paciente de uma forma meticulosa permite pelo menos determinar a frequência e a intensidade dos sintomas”, completa Dr. Schneider, hepato gastroenterologista do hospital CHU de Nice, França. “São esses dois critérios que permitem um diagnóstico”, acrescenta.

Ausência de tratamentos curativos e novas linhas de investigação

Após o diagnóstico, a pessoa se sente vulnerável, pois sofre de uma síndrome para a qual não existe tratamento, a não ser ter os sintomas aliviados. “No entanto, os pacientes muitas vezes percebem que existem alimentos que ao serem consumidos, os fazem se sentir piores do que outros, ainda que os médicos apenas dêem importância ao aspecto nutricional. As recomendações dietéticas apenas incentivam o consumo de fibras, mas não exclui os alimentos”, diz Ducrotté.

Conhecido pelos seus efeitos benéficos sobre o trânsito intestinal, as fibras são importantes para aliviar o desconforto intestinal dos pacientes. “Mas hoje, graças aos novos conhecimentos adquiridos, essas recomendações têm evoluído”, diz Ducrotté. Na verdade, vários estudos têm permitido esclarecer aspectos de um transtorno misterioso que dificulta a vida de quem tem a SII.

Atualmente, se tem quatro linhas de estudo

• Uma disfunção na comunicação entre o sistema nervoso entérico, situado no estômago, e no sistema nervoso central.

• Uma maior permeabilidade intestinal, o qual foi observado em 50% dos pacientes.

• O excesso de células imunocompetentes (geralmente os Linfócitos T) das membranas do intestino e, em alguns pacientes, inflamação. “A causa da inflamação está sendo amplamente estudada e parece promissor, embora não esteja relacionada com outras enfermidades do aparelho digestivo, por exemplo, a doença de Crohn (doença inflamatória do trato gastrointestinal)”, diz Schneider. Uma disbiose, ou seja, um desequilíbrio da flora intestinal, na qual certas bactérias não estão presentes na mesma proporção que em pessoas saudáveis.

• E quanto ao estresse, que tem por muito tempo sido o único gatilho da SII, parece que, desempenha mais o papel de catalisador: a pessoa sujeita ao estresse seria mais sensível aos problemas intestinais.

A importância da microflora

Nos últimos anos, muitas pesquisas têm focado seu trabalho na chamada microbiota (conjunto dos microorganismos que habitam num ecossistema, principalmente bactérias) ou microflora, descrevendo-a, em ocasiões como um órgão em si mesmo. Estas bactérias que se alojam nos intestinos têm basicamente quatro funções: a degradação de compostos alimentares (as fibras, por exemplo), a produção de vitaminas como K, B12 ou B8, o desenvolvimento do tubo digestivo e, sobretudo, a defesa imunológica. Assim, diversos estudos sobre o tema têm mostrado que as pessoas que sofrem deste transtorno intestinal têm menos bactérias que utilizam o ácido lático- o lactato- e mais bactérias que utilizam sulfato, de modo que a fermentação intestinal é mais importante do que numa pessoa saudável. Este desequilíbrio poderia levar ao aumento da produção de hidrogênio, o qual pode ser medido no ar expirado.

“Uma das primeiras consequências desta descoberta foi o questionamento quanto à recomendação do aumento do consumo de fibras, o que pode ser prejudicial ao paciente”, diz Ducrotté. O Dr. Schneider discorda: “Na relação risco / benefício ganha o benefício, porque as fibras estimulam o trânsito intestinal e favorecem a produção de gás, duas funções essenciais. É o fato de fazer funcionar o tubo digestivo, que é um problema para aquelas pessoas especialmente sensíveis.”

O glúten e os “FODMAP” na mira das pesquisas

As fibras não são as únicas que atraem a atenção dos pesquisadores: alguns açúcares (fermentáveis, oligossacarídeos, dissacarídeos, monossacarídeos e polióis, que formam a sigla “FODMAP”), assim como o glúten, seriam susceptíveis de agravar os sintomas. O Dr. Ducrotté afirma que “20% dos pacientes são objetivamente intolerantes a certos alimentos. Assim, uma dieta de exclusão melhora significativamente os sintomas.” Os “FODMAP” são açúcares que encontramos em muitos alimentos: frutas (maçãs, peras), refrigerantes, molhos prontos, mel e alguns chocolates. Estes compostos são fermentáveis, isto é fermentam nos intestinos, produzindo gás, o que provoca distensão e flatulência. De acordo com um estudo, uma dieta pobre em alimentos “FODMAP” permite reduzir as dores e os gases. “Mas este estudo foi realizado na Austrália, onde a alimentação é muito diferente da nossa”, explica Schneider.

“No entanto, parece uma pista promissora”, admite. Para o médico Ducrotté o certo a fazer “quando a relação frutose / glicose de um alimento é superior a 1 é melhor suprimi-lo.” Além disso, “muitos pacientes experimentam uma melhoria significativa em seus sintomas, seguindo uma dieta livre de glúten”, diz Ducrotté. Mas não mostram quaisquer sinais da doença celíaca, os médicos tendem a pensar que é pura sugestão. No entanto, um estudo parece indicar que uma dieta sem glúten ajudaria a melhorar os sintomas desta síndrome. É um conceito que está lentamente ganhando força. De fato, entre 6% e 10% dos pacientes sofreriam uma intolerância ao glúten sem ser celíacos”. Finalmente, parece que os lipídios, que foram suspeitos durante muito tempo de agravar os sintomas da SII, não estariam implicados.

Probióticos: uma solução?

Embora as pesquisas ofereçam pistas interessantes quanto à supressão do glúten e dos açúcares, eliminá-los definitivamente não parece ser necessário. “Alguns médicos têm o mau hábito de desaconselhar muitos alimentos para as pessoas com a SII, sem ter certeza do interesse terapêutico para fazê-lo. A realidade é que essa medida pode acarretar consequências negativas para o paciente, tais como deficiências nutricionais ou simplesmente frustração”, disse Schneider. Para Ducrotté, “não deve haver atitudes sistemáticas, sendo que o médico deve adaptar o tratamento ao paciente.” Porque, por enquanto, só existem tratamentos para aliviar os sintomas. No entanto, os probióticos poderiam modificar o curso da doença.

Com efeito, uma vez que a microbiota parece ser a responsável pela SII, mudar a composição bacteriana do intestino deveria permitir erradicar os sintomas. “Os probióticos têm um efeito antimicrobiano e imunorreguladores e reforçam a barreira intestinal”, explica Ducrotté. Dos experimentos clínicos que buscam avaliar a sua eficácia, um tem demonstrado que o consumo dos probióticos melhora os sintomas da SII em 20% a 25%. Mas ainda existem muitas perguntas que carecem de respostas. As pesquisas estão avançando.

Síndrome do Intestino Irritável
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